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O bom jogador não é feito só de habilidade e oportunismo. Mais do que o talento com a bola, é a conduta dentro de campo que separa os atletas de ponta daqueles fadados ao sucesso passageiro. Para vencer no esporte, é preciso ser um bom competidor - e assim também é fora das quatro linhas.
Até para quem nunca foi um entusiasta das aulas de educação física não é difícil fazer um paralelo entre uma disputadíssima partida de futebol e um dia estressante no trabalho. Fair play, vontade de vencer, espírito de equipe. Todos esses valores também têm lugar na maratona particular que enfrentamos todo dia.
"Destaco a busca pela superação e a necessidade do outro, mesmo que ele seja seu adversário", ensina o professor Alcides Scaglia, doutor em Educação Física, resgatando a essência do esporte de competição.
É certo que muitas modalidades já não carregam mais aquela aura romântica dos tempos de amadorismo. Com a profissionalização, várias delas se transformaram em negócios extremamente lucrativos. No Brasil, a mais popular, e que reúne o maior número de jogadores milionários, é justamente o futebol.
Mas embora ande um pouco perdido nessa realidade, esse idealismo do passado continua vivo. O atleta elegante, que joga dentro das regras e reconhece as virtudes de seu oponente ainda é visto com admiração e respeito por quem pratica e acompanha o esporte. Uma inspiração para a "vida real".
A caminho da profissionalização, o esporte importou do mundo corporativo vários conceitos e idéias. O futebol é um excelente exemplo: hoje, ter só vocação já não basta. É preciso investir em formação.
"A concorrência para ser jogador de futebol é muito grande. No Brasil, além de quase todos os meninos sonharem ser jogadores, grande parte deles joga bem. Ou seja, é preciso adquirir diferenciais para se manter competitivo", avalia o professor Alcides Scaglia. "Por exemplo, falar inglês é pré-requisito para jogar na Inglaterra, e assim vai...".
Da mesma forma que muitas modalidades incorporaram e adaptaram idéias, valores preconizados pelo esporte podem e devem ser absorvidos por profissionais de diversas outras áreas. Junto com uma atitude mais "atleta", vem mais elegância, mais consciência, mais sabedoria - ingredientes que podem fazer a maior diferença na hora de encarar a competição. Confira na cartilha.
Numa tradução livre, fair play quer dizer "jogo limpo". Dentro de campo, o fair play é aquele estilo de jogar sem apelar para a violência. "Na bola", como diz o jargão. No trabalho, o profissional que pratica o fair play é o que atua com transparência, coleguismo e honestidade.
Qualquer adversário, por mais inofensivo que pareça, merece respeito, seja numa disputa de bola, seja concorrendo por uma promoção. É com essa postura que devemos enfrentar os percalços e situações desagradáveis com os quais nos deparamos diariamente.
Sobretudo no esporte coletivo, ninguém vence jogo sozinho. Até nas modalidades individuais, há um time de especialistas trabalhando com o atleta nos bastidores.
"O melhor jogador é aquele que sabe jogar coletivamente", afirma o professor de Educação Física Alcides Scaglia. "Mas o brasileiro pensa exatamente o contrário. Para o brasileiro, principalmente quando o assunto é o futebol, o bom jogador é aquele que faz o maior número de malabarismos com a bola nos pés, sem entender que isso não significa quase nada para o jogo propriamente dito".
No dia a dia de uma empresa, a dinâmica é a mesma. Por mais que haja um profissional centralizador, há também uma rede de tantos outros atuando para lhe dar suporte.
Ninguém gosta de perder, mas com o perdão do clichê, é possível tirar lições até da mais sofrida e inexplicável derrota. Na vida pessoal, pode ser uma relação que não deu certo ou um plano que não vingou. No trabalho, uma promoção que não aconteceu, um projeto rejeitado. O importante é encarar essas situações com espírito esportivo, entendendo, como um atleta, que perder também faz parte do jogo.
O esporte nos ensina a encarar as derrotas de forma positiva, mas também mostra que é preciso receber com graça e leveza nossas vitórias pessoais, sem tripudiar. Aquele atleta que menospreza a concorrência pode até ser um personagem inusitado num primeiro momento, mas depois fica desinteressante e cansativo. Idem para a vida real.
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