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Casa e família

Cuidar dos filhos, da casa e do marido. As tarefas podem se tornar mais fáceis com as nossas dicas.

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  • Aprenda a conviver com a tecnologia e evite a dependência leia mais [+]

    Toca o despertador e, antes mesmo de ir ao banheiro, uma olhada rápida no celular para saber se tem SMS ou e-mail. Então, antes de sentar à mesa para o café, uma passada pelo Twitter. Já foi o suficiente para atrasar a saída de casa. E o dia mal começou, até o fim da jornada, serão muitas as vezes em que a tecnologia, seja por meio do computador, Internet, sites de relacionamento etc., vai se destacar mais do que qualquer outra tarefa.

    Se alguém se identifica com a descrição acima é porque se tornou (ou está a caminho de) um dependente da tecnologia. "O que caracteriza propriamente a dependência de tecnologia é a dificuldade de conseguir ficar longe dessa aparelhagem. A pessoa fica angustiada, até irritada, quando não tem esse acesso", explica a psicóloga Sylvia van Enck, do grupo Dependência de Internet, do Instituto de Psiquiatria (IPq), da Universidade de São Paulo (USP).

    Apesar de, a princípio, não parecer tão grave, esse tipo de dependência pode fazer com que a pessoa abra mão de uma vida saudável, ao deixar de lado a boa alimentação, sono e atividades físicas. "A vida social real, não virtual, também fica muito comprometida, só há comunicações através dos aparelhos. As pessoas não sabem muito bem como interagir olho no olho, muitas vezes não consegue manter uma conversa sem parar para atender o celular", diz a especialista.

    Um dos maiores problemas relacionados à dependência de tecnologia é a dificuldade de identificá-la. As pessoas não percebem que extrapolam no uso dos aparelhos, mesmo com reclamações da família. "Há situações de pessoas que passam até dois dias inteiros sem conseguir sair do computador e não se dão conta. Vi o caso de alguém que ficou tantas horas com o laptop no colo que teve queimadura nas pernas", alerta Sylvia.

  • Antes ligada a jovens, dependência de tecnologia é cada vez mais comum em adultos leia mais [+]

    A psicóloga Sylvia van Enck afirma que todas as faixas etárias podem ser prejudicadas pela tecnologia. O grupo de apoio Dependência de Internet tem membros acima dos 50 anos. Em adultos, a dependência costuma surgir como fuga de outros problemas. "Muitas vezes acaba sendo um refúgio para algumas situações como o desemprego, aposentadoria, separações ou perdas de entes queridos", observa a especialista.

    Além disso, outros problemas psicológicos costumam estar relacionados com a dependência tecnológica, caso, por exemplo, da depressão, fobia social e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). "Nesse último caso, as pessoas têm muita dificuldade em focar por muito tempo em uma mesma tarefa e a Internet contribui muito para isso. O computador proporciona essa dinâmica de a pessoa ir de uma atividade para a outra", explica Sylvia.

  • Família não pode tentar medir forças com dependente da tecnologia leia mais [+]

    Chantagens vindas da família do tipo "se você não largar esse celular, vou quebrá-lo", arrancar os cabos do computador ou ameaçar não pagar mais pela Internet não fazem efeito para combater a dependência. Principalmente no que diz respeito aos jovens, a tendência é que procurem outros meios para satisfazer a necessidade por tecnologia.

    Tendo isso em vista, a psicóloga Sylvia van Enck afirma que a melhor alternativa é que a família (os pais) e o dependente frequentem grupos de apoio separados. "O que funciona é buscar conversar, trazer o computador para um ambiente comum da casa, não deixar num espaço reservado como o quarto. Deve-se tentar até se interessar pela tecnologia junto ao filho, a esposa ou o marido e ir estabelecendo limites: 'em tal hora, vou precisar usar o computador e gostaria que você se programasse'", orienta a especialista.

  • Eliminar tecnologia da vida do dependente não resolve o problema leia mais [+]

    É impossível que, hoje, alguém evite por completo a tecnologia. Assim, a psicóloga Sylvia van Enck explica que quem vai atrás de ajuda contra essa dependência, o faz por vontade própria, buscando adquirir autocontrole sobre os aparelhos. "É possível caminhar sem tirar tecnologias da vida das pessoas, porque essa não é a proposta", afirma a especialista.

    "A pessoa vai identificando as lacunas que existem na vida, de relacionamento amoroso, social, de trabalho. Lida com a questão da autoestima, para que perceba quantas coisas boas, quantas competências ela tem e que, muitas vezes, não acredita. E, trabalhando em grupo, cada um pode trazer a sua experiência pessoal, tanto sobre as dificuldades como com relação às alternativas para poder resolvê-las", completa a psicóloga.

    A prevenção com relação à dependência de tecnologia pode seguir esse mesmo caminho. "É um problema que começa pequeno e vai crescendo, portanto, deve-se estar atento sobre quanto se está fugindo das relações sociais. Muitas vezes, a pessoa busca refúgio na tecnologia porque está entrando num processo de alienação. A família pode contribuir, ao ver que algo não está legal, buscando ajuda de psicólogos ou psiquiatras que possam orientar, fazer uma avaliação", conclui Sylvia.


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