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Não faz muito tempo, criança "gordinha" era sinônimo de criança saudável, bem alimentada e feliz. Hoje, o menino rechonchudo e simpático de décadas atrás deve ser motivo de preocupação, pois já se sabe que a atual epidemia de obesidade não faz distinção de faixa etária.
Por isso, é preciso estar sempre alerta. Se você acha que seu filho tem acumulado quilos além do esperado, não hesite em levá-lo ao pediatra. Mesmo na infância, é muito difícil reverter o ganho de peso. Às vezes, é difícil enxergar o problema, mas é preciso treinar o olhar.
Saiba mais na entrevista com a psicóloga e especialista em obesidade infantil Patrícia Spada:
Como identificar uma criança com obesidade?
São vários os parâmetros. O mais conhecido é o IMC (índice de massa corporal), que deve ser interpretado levando-se em conta outros fatores, como a genética, pois uma criança grande jamais será magérrima. Também é preciso avaliar os hábitos de toda a família. Como se alimentam? São sedentários? Há ainda uma série de exames médicos que podem ajudar, como os de colesterol, de glicemia e os ortopédicos. Por fim, deve-se prestar atenção no comportamento da criança. Se tem amigos, se vai bem na escola, se está feliz, se brinca - mas tem que ser o "brincar" ativo, à moda antiga. O videogame, o computador, não valem, são atividades introspectivas.
Por que a obesidade infantil tem aumentado tanto?
Na prática, por conta de hábitos inadequados. Estamos vivendo uma epidemia global de obesidade. As pessoas estão sedentárias e comendo mal, apesar de terem as ferramentas para uma vida mais saudável. Temos acesso a muita informação sobre saúde, mas não fazemos uso disso, pois ninguém presta muita atenção a si mesmo. Estamos em um momento em que não se privilegia a habilidade para pensar e vejo que a mídia tem uma grande responsabilidade tanto no crescimento, quanto na manutenção dessa tendência. Antigamente, tinha-se mais cuidado com a qualidade da alimentação.
Em que momento os pais devem começar a se preocupar com os quilos a mais dos filhos?
Assim que perceberem que a criança está acima do peso, mesmo que seja só impressão. Muitos pais não enxergam que o "gordinho" nem sempre é saudável. Trata-se de uma negligência, pois a obesidade é uma doença. Por isso, a primeira providência é levar o filho ao pediatra, para definir que providências tomar. Em muitos casos, o tratamento é multidisciplinar e envolve toda família: se os pais têm uma alimentação equivocada e são sedentários, provavelmente os filhos terão o mesmo comportamento, já que a criança é um ser dependente.
Quais são as consequências da obesidade a curto e longo prazo?
De imediato, durante a infância, as conseqüências, do ponto de vista psicológico, são o preconceito, a marginalização e a baixa autoestima por conta dos apelidos pejorativos (criança nunca é politicamente correta). O "gordinho" se torna um ponto de referência negativo. Por conta disso, pode haver ainda baixo rendimento escolar, sintomas de depressão, ansiedade. Do ponto de vista físico, a obesidade pode levar a problemas ortopédicos, cardíacos e de glicemia.
Se a doença permanece na adolescência, as consequências são as mesmas e, em muitos casos, mais intensas. Um adolescente depressivo é algo grave. Ele pode se tornar um adulto antissocial.
Patrícia Spada é PhD em psicologia e especialista em obesidade infantil. É autora de dois livros sobre o assunto: "Obesidade Infantil: aspectos emocionais e vínculo mãe e filho", publicado pela Editora Revinter e "Obesidade e sofrimento psíquico: realidade, conscientização e prevenção", publicado ela Editora. Fap.
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