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Já faz algum tempo que ser funcionário público voltou à moda. Trabalhar para o Estado sempre foi uma boa alternativa na visão de quem busca estabilidade, benefícios e salários que, em tese, jamais seriam oferecidos por empregadores de qualquer outro setor da economia.
Ultimamente, porém, por motivos que vão desde a falta de opção até o excesso de competitividade no dito mercado privado, até o profissional que jamais cogitou prestar concurso não tem pensado duas vezes antes de fazer sua inscrição.
Basta observar as classes dos cursinhos preparatórios. Elas estão cada vez maiores e mais diversas, cheias de candidatos de todos os níveis e formações, cujo estudo muitas vezes começa antes da formatura. Não por pouco: com tanta concorrência, ser aprovado ficou ainda mais difícil.
"Nos últimos anos, o profissional 'concurseiro' vem sendo formatado já durante a faculdade, principalmente nos cursos de Direito e Administração", observa o headhunter Márcio Bamberg. Por isso, além de dedicação, é preciso paciência para conseguir uma aprovação. Em média, a classificação que garante a vaga só vem depois de três anos de tentativas frustradas.
Entretanto, mais importante do que se preparar para passar no concurso é saber o que esperar do novo emprego. Muitos candidatos de ótimo nível acabam se preocupando só com a prova em si, ao invés de se informar sobre as particularidades da carreira pública.
O resultado é que, depois da aprovação, esse profissional corre o risco de "empacar". Sem ter noção de como progredir na empresa, relegado a uma função que nada tem a ver com seus interesses pessoais, mas resignado por conta do salário supostamente melhor, ele se transforma naquele antigo estereótipo do funcionário público desmotivado.
Por outro lado, as perspectivas para quem se propõe a ingressar na carreira pública ciente do que vai encontrar podem ser, de fato, muito boas. Muitas empresas oferecem a seus funcionários condições de trabalho realmente diferenciadas, com políticas de cargos e salários, e incrementos de remuneração conforme a qualificação do profissional.
Com isso, em diversas áreas, a competição com os grandes grupos corporativos se dá no mesmo nível - contanto que, é claro, o funcionário público continue investindo em seu próprio crescimento; buscando certificações, MBAs, pós-graduações, tal qual seus colegas da iniciativa privada. É a chamada "correção de carreira".
"Atualmente, em São Paulo e no Rio, quem para é atropelado pelo profissional que vem atrás. Mas quem busca se qualificar e se capacitar não tem dificuldades, inclusive perante o mercado corporativo", finaliza o headhunter Márcio Bamberg.
Parar de investir na carreira. Um dos grandes desafios de quem ingressa na carreira pública é não se acomodar. É preciso vencer aquele relaxamento natural que vem depois da aprovação e trabalhar para turbinar o currículo, a fim de competir em igualdade de condições também no mercado corporativo.
Vale lembrar que, apesar de o funcionário público trabalhar com um salário de partida mais alto, é comum, em comparação com a iniciativa privada, haver uma defasagem de valores com o passar do tempo, fazendo com que essa relação se inverta.
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